Destralhando: 1, 2, 3 e já!

Destralhar é muito mais que jogar fora coisas sem utilidade e organizar a bagunça. Destralhar é uma atitude mental que passa por não comprar coisas de que não precisamos,  dar novos usos a coisas “velhas” e reformar,  consertar ao invés de comprar  novo. Assim, vamos mudando nosso condicionamento mental dia após dia.

Descartar coisas que não usamos, desgostamos ou não precisamos nos leva a um processo de autoconhecimento, ou será que o autoconhecimento nos leva a destralhe?

Ao longo dos anos acumulamos coisas que não nos representam mais, certos objetos se desvinculam dos nossos novos quereres. A organização e o desapego devem ser encarados como um momento de celebração dessa nova fase, reconhecer essa mudança e dar espaço para o novo.

O objetivo principal do destralhe não é simplesmente descartar as coisas, o objetivo principal é adotar o viver com menos como estilo de vida, compreender que a gente pode viver bem (e muito bem) como menos. Em geral, organizamos nossos armários e doamos  um monte de coisas que não usamos, tempos depois compramos  novas coisas para logo em seguida doá-las ou jogá-las fora novamente.

O excesso nos paralisa: não precisamos de tantas coisas!
Descartar coisas que não usamos, desgostamos ou não precisamos nos leva a um processo de autoconhecimento, ou será que o autoconhecimento nos leva a destralhe?
Lá pelos idos de 2009, percebi apesar das repetidas tentativas de mantê-lo organizado, meu armário  estava sempre desorganizado. Foi quando percebi que tinha coisas demais para espaço de menos. Fiz uma análise criteriosa do meu armário, observando principalmente as roupas que estavam tristonhas por viver penduradas nos cabides ao invés de passear serelepe pela rua mostrando toda sua beleza.

Não se tratava de uma pessoa acumuladora, ao menos eu acho, mas de perceber que quanto mais coisas eu tivesse, mais tempo e energia eu teria para gastar para comprar  e manter tantas coisas, me tornando cada vez mais escrava do dinheiro e do trabalho.  Ao invés disso eu poderia ter muito menos coisas, gastar menos dinheiro e ter mais  tempo livre.

O resultado de uma vida com menos coisas é libertador, o processo de simplificação me trouxe liberdade e uma nova forma de ver o mundo. Sei que posso ter ainda menos, mas isso é um processo não é uma corrida, nem uma competição de que tem menos, não é uma moda passageira, mas uma tendência que as pessoas têm percebido, o movimento do lowconsumerism (menos consumo).

Depois de tantos movimentos propagando o consumo como ideal de felicidade, as pessoas têm percebido que tudo isso só tem deixado um vazio ainda mais profundo.

Fiz um estudo sobre o quanto perdemos em termos financeiros com tantas coisas sem uso e a conclusão que cheguei é que um “quarto da bagunça” pode nos fazer perder mais de meio milhão de reais. Leia mais neste post:  Por que não ter o quarto da bagunça? Você pode estar perdendo mais de meio milhão de reais

Mais coisas significam mais matéria prima sendo utilizadas para sua produção.

Quanto mais coisas compramos mais matéria prima está sendo consumida, vinda dos nossos recursos naturais, sem contar todo o processo de fabricação da indústria, todos os rejeitos tóxicos e a poluição gerada pelas fábricas e pelo transporte para que as coisas cheguem até nós.

Descartar  não é a solução dos nossos problemas já que o “lá fora” é aqui dentro. Não há outro planeta. Tudo o que descartamos sumirá dos nossos armários, mas existirá em algum outro lugar. Vivemos um momento de mais consciência, as pessoas passaram a perceber que a forma como consumimos impacta diretamente o mundo em que vivemos. Em algum momento tudo que a gente consome será descartado, o luxo se tornará lixo. E quanto mais consumo mais produção industrial, mais descarte e mais tempo gasto trabalhando para pagar pelas coisas que consumimos. É uma matemática infernal cuja conta nunca fecha. É tempo de menos para coisas demais.

 Partindo para ação!

O mais importante é agir, quebrar com os hábitos que nos aprisionam.

Alguns especialistas em organização orienta fazer um cômodo por vez, já a Marie Kondo autora do livro a Mágica da Arrumação orienta fazê-lo por categorias, exemplo: organizar todos os livros da casa, todas as roupas, todos os sapatos, todos os papéis, todos os cosméticos e por aí vai. Já tinha feito o destralhe da forma convencional, a experimentar a ideia da Marie Kondo consegui fazer o destralhe na minha casa inteira em 1 dia e meio e o resultado foi muito melhor.

Dessa forma você tem ideia do todo e percebe a repetição de coisas em cômodos diferentes.

# Dica 1

Quando começar o seu destralhamento. Pergunte a  si mesma:

 Eu realmente preciso disso?  Eu uso regularmente? Eu o amo?

Se a resposta for não para a qualquer um destes, é melhor doar para alguém que poderá fazer bom uso. Se estiver em perfeitas condições você também pode vendê-las para um brechó, loja de antiguidades ou sites de desapego. Ofereça um preço justo, não vale incluir no preço o valor sentimental do que está sendo vendido ok? Lembre-se: desapegar não é desamor, desapegar dá espaço para o novo e que nova energia possa circular.

 # Dica 2

Se você tem dificuldade em se desapegar das coisas ou está em dúvida se precisa dessas coisas, faça essa seleção e guarde essas roupas em um saco ou mala e marque a data em um calendário eletrônico – seis meses é um bom prazo. Muito provavelmente você perceberá que elas não farão a menor falta. Assim você estará convencida  inutilidade das peças, dando um bom destino a elas.

# Dica 3

E se eu sentir falta de algo ou me arrepender depois?

Pode acontecer de você se arrepender de doar ou se desafazer de algo, mas esse arrependimento será irrisório frente a liberdade que conquistará ao se desafazer das suas coisas. Não guarde coisas pensando: “um dia posso usar isso”, na maioria das vezes esse dia nunca chega.

# Dica 4

Pense o que mais pode ser simplificado

Atividades demais: Faça uma lista dos seus compromissos e defina o que é mais importante, tente delegar alguns e delete o restante. Aprender a dizer “não” é libertador, diga “não” para as atividades não essenciais.
Guarde seu tempo: Parece ser cruel dizer “não” às pessoas e aos novos compromissos, mas você precisa estabelecer prioridades.
Vida digital: Selecione as newsletters, blogs e redes sociais mais importantes e não perca tempo com o resto.
#Dica 5

Não faça novas compras,  exercite sua criatividade, pense em novas possibilidades.

Roupas: Pense em novas combinações e formas de uso. Garanto que você irá se surpreender. 
Livros: Peça emprestado e empreste o que tem, não deixe seus livros parados num canto.
Brinquedos: Crie brinquedos com seu filho utilizando recicláveis, na internet há um montão de ideias, será bem divertido.
#Dica 6

Experimente o armário cápsula, neste post aqui falo todos os detalhes e benefícios que conquistei ao utilizar o conceito de armário cápsula.

Efeitos esperados do destralhe

Uma vida leve
Mais organização: ficará mais fácil visualizar, manter e limpar as peças.
Sensação de organização mental
Mais tempo livre para fazer aquilo que gosta
Tenha em mente:

Liberar a tralha das nossas gavetas é o primeiro passo rumo à liberação da nossa tralha mental.

“Desapegar não é desamor”, é um momento de agradecer pelas coisas que nos pertencem e nos foram úteis, mas que neste momento podem cumprir sua função e serem mais úteis na vida de outras mulheres.

Com amor,

Simone Costa

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